[Crónicas] Segue a seta em luzes de néon

dream bigNuma altura em que o mundo parece ter ficado louco, é bom ver algo que nos inspira. Foi o que esta imagem fez hoje comigo.

Segue os teus sonhos, diz.

E houve ali alguma coisa que me ficou a fazer pensar… No fundo, é o que tenho estado a fazer. A desconstruir-me e a recolher os pedaços para escolher um novo formato.

É bom quando a vida nos dá novas oportunidades. Quando damos pelas setas que indicam o caminho. Quando aprendemos a desligar o som do mundo lá fora e a ouvir mais o que nos vai cá dentro na alma.

Sim, o mundo seria um lugar melhor se em vez de se viver de e para as aparências, todos fossem honestos consigo próprios. Caras felizes, semblantes felizes, corações generosos precisam-se! Basta de bombardear o próximo com as nossas frustrações. Há que ter a coragem de perceber o que está mal e a coragem se perceber quando a mudança urge.

E, quando a vida nos dá uma segunda chance, é agarrá-la com unhas e dentes!

Escutem(-se). Amem(-se). Mudem(-se). (Re)comecem(-se).

Esta é a reflexão com que vos deixo para este fim-de-semana.

Sejam felizes.

Vermelho Carmim, de Elsa Leal

2015-02-27 17.16.39VERMELHO CARMIM, de Elsa Leal

Fiction » Fantasy » Short stories | Fiction » Fantasy » Paranormal
Published: Feb. 27, 2015
Words: 1,760
Language: Portuguese
ISBN: 9781310650741
Sinopse:
António é funcionário de uma empresa que todos os anos promove encontros motivacionais, com o objectivo de tornar as suas equipas de trabalho mais unidas. Este ano não é excepção e o Sanatório de Valongo, palco de jogos de estratégia, foi o local escolhido.
Mas o Sanatório esconde uma realidade oculta por detrás das suas paredes em ruínas…
Podem fazer o download gratuito aqui na minha página do Smashwords.

Este pequeno conto é uma das versões apresentadas como exercício para uma das reuniões com o meu grupo de escrita. Existe a versão só com diálogo, porém esta foi a versão que decidi partilhar com os meus leitores. Espero que gostem.
Boas leituras.  

O Outeiro das Três Cabeças, por Elsa Leal

CoverO OUTEIRO DAS TRÊS CABEÇAS, por Elsa Leal

Published: Feb. 25, 2015
Words: 6,540
Language: Portuguese
ISBN: 9781311166647

Sinopse:

Belinda Sofisma procura um lugar para ficar. Um lugar onde a aceitem como é. Mas quando chega a Outeiro das Três Cabeças e se apercebe que a sua presença desencadeou novamente alguns fenómenos junto dos seus habitantes, percebe que, uma vez mais, será forçada a partir.
Com uma ajuda inesperada, conseguirá ela desta vez encontrar uma forma de criar raízes?

Download gratuito em: https://www.smashwords.com/books/view/522556

Condutores de Almas, de Elsa Leal

Cover_Condutores_Almas

CONDUTORES DE ALMAS, por Elsa Leal

Sinopse: Cecília carrega sobre os ombros uma pesada herança familiar: vingar a morte de uma antepassada, eliminando os homens impuros da face da Terra. Ou, pelo menos das redondezas da aldeia onde mora. Como quinta filha de uma quinta filha, cabe-lhe a ela, não só dar continuidade à linhagem, como também aplicar justiça com as suas próprias mãos contra os homens que são considerados como alvos a abater.

Para quem não sabe, Elsa Leal é o nome sob o qual escrevo e sim, este é o conto que publiquei na plataforma Smashwords. Só está disponível em formato digital, mas os vários ficheiros permitem abri-lo em diferentes tipos de leitores. Basta carregar sobre a imagem para aceder à minha página e escolherem o formato que desejarem.
Espero que gostem. Boas leituras 😉

Horror Authors: How to Scare the Heck Out of Your Readers

Arquivadinho na secção das escritas, para consultar muito em breve!

Os Fantásticos mundos de Elsa

Use sentence structure to evoke feelings of anxiety or fear in your reader.

Source: thewritelife.com

Adoro quando o universo conspira a meu favor e me envia artigos úteis para as coisas que tenho entre mãos.

Para quem conhece o que escrevo, sabe que o faço dentro do Fantástico/Paranormal. Mas dou comigo a gostar de escrever num tom cada vez mais sombrio, sem cenários luminosos nem finais cor-de-rosa. Mas, como em tudo, é necessário perceber que técnicas empregar de forma a prender os leitores.

Este artigo, para além de ser bastante claro, é também conciso. Nada de floreados e com exemplos práticos em quantidade suficiente para deixar perceber como empregar as técnicas.

Vou “arquivá-lo” aqui e no blog para não lhe perder o rasto e poder consultá-lo sempre que for necessário. Desconfio que, dentro em breve, me vai fazer falta 🙂

See on Scoop.itReading & Writing World – Tips…

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Vermelho Carmim, de Elsa Leal [Conto]

carmim2VERMELHO CARMIM
Elsa Leal

António semicerrou os olhos, como se esse simples esforço conseguisse conjurar a presença da sua vítima quase por artes mágicas e abriu um sorriso quando viu de novo o vulto a mexer-se por detrás do muro, na mesma direcção dos seus disparos. O muro era alto mas o pedaço de tecido manchado de vermelho que conseguia ver pela brecha não lhe deixava margem para dúvidas. Estava na cara que era a Marta dos Recursos Humanos, como se ter um cabelo até ao rabo, negro como a penugem de um corvo pudesse confundir alguém. A parva nem se tinha lembrado de apanhar a guedelha para passar mais despercebida, mas isto era o que dava tirar uma tia do conforto da cadeira do escritório e trazê-la para o terreno.

“Estás morta!”, gritou na direcção do muro, com ar triunfante. “Escusas de te esconder atrás do muro porque sei que te acertei!”

“Acho que se enganou, senhor. Pois se estivesse morta estaria eu a responder-lhe?” ripostou a pessoa do outro lado.

A voz era aguda e, pelo tom percebeu que estava indignada. Caramba, havia mesmo quem não soubesse perder!

“Estás sim Marta, deixa-te de coisas! Olha só a tinta vermelha aí bem marcadinha na tua roupa. Vá, salta lá de trás desse muro e volta para a base.”

“Não é vermelho, é carmim e não está sujo de tinta, esta é a cor da minha roupa!”

“Não vale a pena tentares enganar-me. Olha aí uma mancha vermelha. É tão grande que consigo vê-la pela fresta do muro!” apontou para o pedaço de tecido visível, constatando o óbvio. Tinha disparado três tiros certeiros. Era vermelho e, mesmo à distância conseguia perceber isso.

“Não é mancha nenhuma, já te disse que é a cor do meu vestido!” negou ela, teimosamente.

António soltou um palavrão entredentes começando a dirigir-se para o sítio onde estava o vulto, decidido a acabar com aquilo. “Não sejas assim Marta. Toda a gente sabe que não vieste de vestido para o paintball. Vá, salta lá daí porque o jogo ainda não acabou e tenho que ir ter com os outros!”

“Já lhe disse que está enganado. Eu não sou essa tal Marta a que se refere e também não vou sair daqui.”

António começava a ser percorrido por uma sensação estranha mas continuou a caminhar.

“Mas ficaste com os pés presos nalgum buraco ou assim?”

A seu ver, ninguém ia para ali sozinho, a não ser com intenções duvidosas, mas isso acontecia mais à noite, não aquela hora. Especialmente com mais gente a andar por ali, o que era o caso daquele dia.

“Ou assim.”, respondeu ela sem mais justificações.

Devagar, aproximou-se do muro atrás do qual continuava o vulto mas, à medida que o fazia o cenário à sua volta pareceu mudar, numa estranha metamorfose. Realmente, o Sanatório de Valongo fazia jus à sua fama de lugar assombrado. E a luz do lusco-fusco estava a pregar-lhe partidas.

Abanou a cabeça, tentando libertar-se das imagens que lhe invadiram a mente. Não seria agora que ia começar a dar importância às crendices populares. Aquela podia não ser a Marta mas o espaço onde se encontrava ainda era o mesmo. Ou não era?

“Então, se não estás connosco, o que vieste aqui fazer a este lugar medonho?” perguntou, com a mesma cautela com que caminhava, tentando esconder o receio que crescia no seu interior.

“Já lhe disse, eu não vim. Eu já cá estava antes de você chegar.”

António deteve-se ao ouvir isto. Estava já junto ao muro e decidiu espreitar pela fresta, que era grande o suficiente para deixar perceber o que se encontrava do outro lado. Baixou-se um pouco, apoiando as mãos na pedra quase desfeita e apercebeu-se de um cheiro pútrido que vinha do lado de lá, que lhe deu a volta ao estômago, mas não se desviou.

“Eu se fosse a si não fazia isso.” advertiu a voz do outro lado.

“Mau, então mas porquê? Até parece que és um monstro feio prestes a saltar-me em cima e a desfazer-me em pedaços ou assim?” António tentou gracejar para não deixar transparecer o receio, mas a voz saiu-lhe quase num sussurro.

Permaneceu estarrecido a olhar para a mulher do outro lado do muro através da fresta. O cabelo comprido podia ser igual ao da Marta dos Recursos Humanos mas definitivamente não era ela. O rosto pálido que o olhava com uns olhos azuis tão claros que pareciam quase transparentes não deixavam margens para dúvidas de que não era ela. Alta e de aspecto angelical, envergava um vestido vermelho comprido, evocando uma época já bem distante no tempo. Mas, o que tinha deixado o olhar preso nela eram os seus pés. Ou melhor, a falta deles, já que sob a bainha rendada tudo o que conseguiu ver foram dois troncos apoiados no chão em vez de dois pés e, onde deviam estar os dedos, saíam raízes longas e retorcidas, que se entranhavam no muro e no solo em volta dela.

A mulher virou-se de costas, numa tentativa vã de se esconder.

“Devia ter seguido o meu conselho!” disse ela. “Eu estava aqui sossegada no meu recanto favorito do jardim. O meu noivo deve estar a chegar com os meus pais e não posso ser vista consigo! O que é que eles iam pensar? Especialmente agora, que estou prestes a ir para casa!”

António reprimiu um vómito quando o cheiro a podridão lhe voltou a invadir as narinas, mas não conseguiu desviar o olhar. Ali, o vestido coquette já não existia, deixando a nu o que pareciam restos de carne e órgãos a desfazer-se. O cabelo negro tinha desaparecido, dando lugar a escassos fios de onde escorria uma espécie de líquido vermelho e viscoso.

Ela virou-se novamente para ele e olhou-o com os seus olhos quase transparentes. António gelou ao ver que nas suas órbitas pareciam agora nadar raios de sangue espalhando-se em todas as direcções da sua face, que apodrecia mesmo à sua frente. Era como se ali existisse uma brecha no Tempo e ambas fossem a mesma presença partilhando um espaço comum. Um onde ela era jovem e bela. Outro onde se tinha tornado esta…coisa, um espectro de si mesma.

Tudo o que conseguiu foi dizer “Tinhas razão, não te acertei. Isso não é o vermelho da tinta da minha arma.”

Antes de ficar desfeito em mil pedaços ainda a conseguiu ouvir responder “Pois não, eu bem lhe disse. O meu vestido não é vermelho, é carmim.”